quinta-feira, 2 de maio de 2013

Futebol alemão em 2013: o quase que virou certeza

Bayern e Borussia fazem a final da UEFA Champions League 2012/2013
No tira-teima entre os dois melhores estilos de futebol no momento, venceu quem pretende mostrar ao mundo que o "quase", de fato, ficou para trás.

Representados por Bayern de Munique e Borussia Dortmund, a escola alemã deu uma verdadeira aula de soberania sobre os seus maiores rivais na atualidade. Os espanhóis, mais precisamente Real Madrid e Barcelona, nada puderam fazer contra o amplo domínio adversário nas semi-finais da UEFA Champions League.

Definitivamente, os alemães chegaram a essa fase do maior torneio continental do planeta determinados a não deixar mais escapar a possibilidade de levantar um título importante para o seu país. Afinal, nos últimos anos, foram muitos fracassos inesperados pelos seus clubes e seleção nacional.

Agora, com duas equipes germânicas duelando na grande decisão interclubes européia pela primeira vez na história, não há como evitar que um importante troféu vá para a Terra da cerveja.

E isso é só uma amostra do que possivelmente acontecerá na Copa do Mundo no Brasil. Certamente, os alemães virão com tudo para provar que são vencedores também defendendo a sua nação.

Favorita Alemanha perde para Itália na Euro 2012

Quando os alemães, seja em clubes ou pela seleção, ficaram no "quase" nos últimos anos:

Final da Champions League 1999 - Bayern de Munique 1 x 2 Manchester United
Final da Liga Europa 2001 - Feyenoord 3 x 2 Borussia Dortmund
Final da Copa do Mundo 2002 - Alemanha 0 x 2 Brasil
Semi-final da Copa do Mundo 2006 - Alemanha 0 x 2 Itália
Final da Eurocopa  2008 - Espanha 1 x 0 Alemanha
Final da Liga Europa 2009 - Shakhtar Donetsk 2 x 1 Werder Bremen
Final da Champions League 2010 - Bayern de Munique 0 x 2 Inter de Milão
Semi-final da Copa do Mundo 2010 - Alemanha 0 x 1 Espanha
Semi-final da Eurocopa 2012 - Itália 2 x 1 Alemanha
Final da Champions League 2012 - Bayern de Munique 1 (3) x 1 (4) Chelsea

Felipe Reis

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mário Götze e a sua trilha rumo ao topo

Mário Götze: no caminho certo para ser o melhor do mundo
Com apenas 20 anos de idade e já bicampeão alemão e possível finalista desta edição da UEFA Champions League, não seria exagero ver Mário Götze como o mais novo sério candidato ao posto de melhor do mundo dentro de poucos anos.

Dotado de grande habilidade, visão de jogo e velocidade, Gotzinho, como também é chamado em referência aos grandes craques brasileiros com apelidos no diminutivo, vem se mostrando uma peça fundamental para o ressurgimento do Borussia Dortmund em termos continentais. Nem Lionel Messi e Cristiano Ronaldo conseguiram esse protagonismo em suas respectivas equipes de forma tão precoce. É bem verdade que os dois encontraram maior concorrência em seus clubes.

Agora, a mais nova contratação do Bayern de Munique tem tudo para tornar realidade as promessas sobre seu futuro, uma vez que será dirigido, nada mais nada menos, por Pep Guardiola, ex-técnico do Barcelona que ficou famoso por dar a Messi o papel principal dentro do plantel catalão. Por consequência, isso fez com que o atual melhor do planeta explodisse de vez no cenário mundial conquistando inúmeros títulos individuais e coletivos.

Será que teremos em breve, de fato, um intruso com fortes características de protagonista para rivalizar com CR7 e Lionel Messi na disputa pela Bola de Ouro? Caso Guardiola consiga fazer de Götze um exímio goleador como seus possíveis rivais, é bem provável que sim.

Fica a torcida para que o craque do Borussia Dortmund não se torne apenas mais um numa instituição de maior nome, cobrança e repercussão e consiga deixar o rótulo de Golden Boy para trás. Michael Owen, Saviola, Van der Vaart e outros não conseguiram tal feito.

Felipe Reis

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O efeito borboleta entre Lucas e Neymar

Lucas vem bem no Paris Saint-Germain
A cada bom jogo que Lucas realiza na Europa, uma pergunta se fortalece aqui no Brasil.

Quando Neymar se arriscará no Velho Continente?

Se o ex-são paulino continuar brilhando nos gramados do exterior em duelos grandíssimos, será incoerente vê-lo no banco de reservas da seleção brasileira, enquanto o outro, atuando contra times sem expressão e até quase amadores, ser titular dela.

Neymar: rei no Brasil. E no mundo?
O dia de ontem foi emblemático para que o debate sobre o assunto passasse de algo abstrato à concreto. Pela tarde, Lucas mostrou um ótimo desempenho diante de um poderoso Barcelona empurrado por sua torcida em partida válida pela UEFA Champions League. Já Neymar, nada mais fez do que cumprir a obrigação de ir bem diante do paupérrimo Flamengo do Piauí na abertura da Copa do Brasil.

O que antes era visto como uma passagem direta ao título de melhor jogador do planeta, hoje pode ser uma obrigatoriedade se quiser apenas permanecer nos jogos da seleção desde o primeiro minuto.

Não demorará muito para a imprensa mundial questionar a situação. Se Neymar visa continuar como o dono da praça, e satisfazer o seus frequentadores, vai precisar aumentar sua área de domínio. O Brasil já é pequeno para ele, mas o mundo ainda é imenso. E Lucas está provando isso!


Felipe Reis

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um mito sob suspeita

Rogério Ceni é o maior nome da história tricolor
Os erros cometidos por parte de Rogério Ceni diante de Corinthians e The Strongest fizeram as opiniões favoráveis a uma aposentadoria do goleiro se multiplicarem.

Torcedores rivais caçoam do momento infeliz do maior ídolo da história do São Paulo, enquanto os próprios fãs do atleta já se questionam sobre seu futuro.

O fato é que Rogério Ceni ainda é bom no que faz, e suas falhas, ao olhar do blogueiro que vos escreve, são frutos também de um mau desempenho coletivo de uma grande parcela dos jogadores que vem atuando em sua frente durante as partidas.

Que culpa tem Ceni, se Lúcio e Ganso não tem rendido o esperado? Que culpa tem Ceni, se Aloísio possui sérios desajustes na sua finalização? Que culpa tem Ceni, se Luis Fabiano, principal goleador do time, sempre entra em confusão e acaba punido? 

O problema é que o eterno arqueiro tricolor não é carismático e qualquer deslize seu, se torna motivo de questionamentos negativos. Isso dificilmente ocorria com Marcos, por exemplo. 

Por outro lado, um clube como o São Paulo não pode mais depender tanto apenas da liderança psicológica de um jogador. A instituição precisa começar a pensar em quem será o seu sucessor, seja debaixo das traves, puramente como goleiro, ou no comando do grupo dentro de campo.

Ainda que no sentido cronológico e não técnico, a hora de Rogério Ceni pode realmente estar se esgostando e é necessário se antecipar na resolução do caso desde já.

Felipe Reis

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quando a teimosia é maior que a sabedoria

Rivaldo representando o Brasil na Copa de 2002
Devo confessar que nunca fui um fã declarado do futebol de Rivaldo nem quando ele decidia jogos pela seleção brasileira, Palmeiras ou Barcelona. Nem mesmo a premiação de melhor do mundo em 1999 me convenceu a gostar do estilo de jogo do meia-atacante.

Também não consigo engolir o fato de que o pernambucano foi brilhante naquela Copa de 2002. Já vi e revi, por várias vezes, todos os 7 jogos daquele torneio e não há 90 minutos especiais que me façam mudar de opinião ainda sabendo que compartilho esse achismo com poucos.

Rivaldo foi o melhor do mundo em 1999
Quando debato sobre alguns craques do passado com colegas meus e o nome do ex-presidente do Mogi-Mirim vem à tona, me incomoda o fato de não conseguir enxergar tanto talento num futebol que, por muito tempo, foi limitado a uma jogada repetitiva e cansativa.

Para o "fominha" Rivaldo, a combinação "corte para a direita e chute rasteiro no canto" era quase sempre a primeira opção.

Ronaldo que o diga!

Oliver Kahn teve que dar uma mãozinha e consertar o individualismo de seu companheiro para que o gol do Brasil saísse de seus pés naquela final contra a Alemanha.

No entanto, tenho que admitir que o escrito acima é apenas fruto de uma visão particular. Se formos colocar o seu aproveitamento em formato estatístico, veremos que o pentacampeão merece e precisa ser respeitado.

Vencedor e goleador por onde passou, Rivaldo também tem muitos méritos no que conquistou. Não é qualquer um que chega ao topo do mundo de forma individual e coletiva. Não é qualquer um que se torna artilheiro e campeão de Copa América. Não é qualquer um que é vice-artilheiro do campeonato espanhol por 3 vezes em 6 edições disputadas e duas vencidas. Não é qualquer um que estufa mais as redes numa edição de Champions League. Definitivamente, o cara não é qualquer um!

O problema é que seu fim de carreira está parecendo ao de um qualquer!

Rivaldo no SPFC: passagem frustrada
É até compreensível as passagens fracassadas por Milan e Cruzeiro logo após o título mundial na Ásia. Naquela época, o astro, já em franco declínio técnico, ainda tinha o direito de tentar e créditos suficientes para perder.

O que não tem cabimento é acompanhar um velho Rivaldo perambulando, de forma teimosa, por verdadeiros becos sombrios do mundo futebolístico e que quando se intromete a atuar em um nível técnico mais elevado, deixa um ar constrangedor.

Suas aventuras por Grécia, Uzbequistão e Angola, sua vergonhosa e curta trajetória recente pelo São Paulo e sua situação atual junto ao São Caetano - último lugar no Campeonato Paulista - certamente não são dignas de complementar um currículo que tem Copa do Mundo.

O que podemos fazer se Rivaldo quer assim? O único que pode encerrar sua missão dentro do esporte que lhe consagrou, é somente ele mesmo.

Cabe a nós, críticos ou fãs, alertá-lo sobre um eventual vexame desnecessário. E isso vem acontecendo.

Felipe Reis

terça-feira, 5 de março de 2013

Se o Sir. falou, tá falado...

Para Alex Ferguson, Cristiano Ronaldo é melhor que Ronaldo Fenômeno
Em coletiva concedida um dia antes do grande duelo entre Manchester United e Real Madrid pelas oitavas de final da UEFA Champions League, o gabaritado e eterno treinador dos Red Devils, Alex Ferguson, fez uma afirmação comparativa jamais mencionada antes: "Cristiano Ronaldo é muito mais completo do que foi Ronaldo Fenômeno".

A frase ecoou como uma ofensa ao público brasileiro que tem pelo ex-jogador, uma idolatria muito acima de qualquer explicação sem possuir tantos argumentos de defesa assim.

Geralmente a resposta para qualquer tipo de crítica sobre R9 é limitada ao número de gols que fez em Copas do Mundo, ao título mundial de 2002 e aos três prêmios de melhor do planeta que possui em sua galeria.

A maioria, cegos por conveniência, nem pensa em contestar os adversários que Ronaldo enfrentou para assim poder fazer essa quantia de tentos, tampouco enxerga que CR7 nasceu em um país com difíceis chances em um Mundial de seleções e muitos menos ousa questionar se foi coerente, ou não, cada uma dessas eleições individuais nos anos de 1996, 1997 e 2002.

A questão em pauta é fácil de ser refletida. Se deixarmos de lado o ufanismo e evitarmos também compará-los pelo o que fizeram por suas seleções (atuar pelo Brasil e Portugal tem suas diferenças óbvias) , chegaremos a uma conclusão nítida de que o técnico escocês não falou nenhum absurdo. Basta ver e aceitar o quadro abaixo.

O português tem mais conquistas por clubes que passou, melhor média de gols na instituição em que ambos defenderam a respectiva camisa, é mais regular, mais presencial e enfim, mais completo do que o nosso compatriota querido e um tanto que protegido pela mídia. Sem contar a euforia que CR7 causa em torcedores das equipes que já defendeu enquanto o seu xará tupiniquim recebe apelidos amargos como "El Fugitivo". Os fanáticos pela Inter de Milão podem confirmar o que quero dizer.

Quadro comparativo entre R9 e CR7 - Títulos e artilharias relevantes

Em clubes, onde prevalece a regularidade, CR7 é bem superior
Desempenho de Ronaldo na Europa entre 1994 e 2008:

 PSV Eindhoven (1994/1996): (57 jogos/54 gols)

 - Artilharia do Campeonato Holandês - 1994/1995

Barcelona (1996/1997): (49 jogos/47 gols)

- Artilharia do Campeonato Espanhol - 1996/1997

Internazionale de Milão (1997/2002): (99 jogos/59 gols)

- Título: Copa da UEFA 1998

Real Madrid (2002/2007): (177 jogos /104 gols)

- Artilharia do Campeonato Espanhol - 2003/2004

- Títulos: Campeonato Espanhol 2002/2003 e Mundial Interclubes 2002. 

Milan (2007/2008): (20 jogos/9 gols)

 Nenhum título ou artilharia.

Total: 3 artilharias e 3 títulos - 402 jogos e 276 gols. Média de 0,68 gols por partida.

Desempenho de Cristiano Ronaldo desde o seu começo de carreira até o momento

Sporting Lisboa (2002/2003): (25 jogos/ 5 gols)

Nenhum título ou artilharia.

Manchester United (2003/2009): (292 jogos/118 gols)

- Artilharias: Premier League (2007/2008) e UEFA Champions League (2007/2008)
- Títulos: 3x campeão da Premier League (2006/2007 - 2007/2008 e 2008/2009); UEFA Champions League (2007/2008) e Mundial Interclubes (2008).

Real Madrid (2009/2013): (184 jogos/185 gols)

- Artilharias: Campeonato Espanhol (2010/2011).
- Títulos: Campeonato Espanhol (2011/2012)

Total: 6 títulos e 3 artilharias - (501 jogos/308 gols). Média de 0,61 gols por partida.
 
Ainda com o quadro exposto, haverão aqueles que desdenharão e irão citar apenas a média de gols superior do camisa 9 brasileiro.

Realmente, isso é uma verdade nua e crua!

No entanto, poucos observarão que Cristiano, com apenas 28 anos e por muito o que desfilar nos gramados, já é maior goleador em campeonatos importantes e mais conquistador de títulos nivelados do que foi o "nosso" Fenômeno.

E também, não esquecendo que esse percentual de gols por partidas é enfraquecido pelo fato de que o Gajo, quando jovem, entrava gradativamente em jogos do Sporting e Manchester United.

Outras comparações entre os dois Ronaldos em competições de clubes que tiveram a oportunidade de jogar:

Cristiano Ronaldo na UEFA Champions League: 88 jogos / 45 gols - 1 Título - 1 Artilharia
Ronaldo Fenômeno na UEFA Champions League: 40 jogos / 14 gols - Nenhum título ou artilharia

Cristiano Ronaldo na Liga Espanhola: 126 jogos/ 134 gols - 1 título - 1 artilharia
Ronaldo Fenômeno na Liga Espanhola: 164 jogos/ 117 gols - 1 título - 2 artilharias

Felipe Reis

sábado, 2 de março de 2013

Barcelona: decadência ou apenas dias ruins?

Barcelona: conhecendo um pouco o outro lado da moeda
As três derrotas nos últimos quatro jogos - duas delas para o maior rival Real Madrid - liga um sinal de alerta para o futuro do Barcelona e abre uma questão jamais mencionada nos últimos anos em relação ao time catalão.

Será a decadência da, então, melhor equipe do mundo?

Definitivamente não!

É bem verdade que, no momento, o grupo azul e grená provavelmente não seja o mais poderoso do planeta. No entanto, isso não nos dá o direito de achar que o plantel culé esteja à beira do abismo.

Perder para os dois maiores clubes da história do futebol em termos de títulos continentais é algo natural. Por outro lado, existe sim a preocupação sobre a forma como essas derrotas vieram. Incontestáveis!

O time realmente não está bem, mas isso é consequência da falta de um comando gabaritado do lado de fora do gramado. O Barcelona é um gigante que, repentinamente, caiu no colo de um despreparado Jordi Roura, auxiliar técnico do afastado Tito Villanova.

Seria covarde criticar a capacidade de um interino que ocupou o cargo de uma maneira "meio sem querer". Contudo, é necessário afirmar que um forte conjunto precisa de um treinador conceituado para que ele possa tentar reinventar a maneira de jogar do elenco e assim consiga enfrentar a evolução dos seus rivais. Rivais estes que antes eram batidos com facilidade e hoje conseguem vencer merecendo sair de campo como ganhadores.

E mesmo que a falta de uma cabeça pensante do outro lado das quatro linhas não seja o grande obstáculo catalão, devemos saber que o esporte é assim. É muito mais duro se manter no topo e impedir a evolução de seus adversários do que visar algo a ser batido e se estimular para derrotá-lo.

Resumindo: nem sempre Lionel Messi vai resolver, tampouco o Barcelona será o campeão.

O problema é que quanto maior e melhor você for, menos créditos para errar ou desempenhar uma má performance você terá. Qualquer resultado negativo por parte de qualquer colosso esportivo é motivo de inúmeros questionamentos de fãs e críticos.

E uma prova disso, contrariando tantas opiniões negativistas sobre os próximos dias do Barça, é que o time blaugrana lidera com folga o campeonato espanhol e fatalmente será o campeão dele com a melhor campanha da história do torneio.

Felipe Reis