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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um mito sob suspeita

Rogério Ceni é o maior nome da história tricolor
Os erros cometidos por parte de Rogério Ceni diante de Corinthians e The Strongest fizeram as opiniões favoráveis a uma aposentadoria do goleiro se multiplicarem.

Torcedores rivais caçoam do momento infeliz do maior ídolo da história do São Paulo, enquanto os próprios fãs do atleta já se questionam sobre seu futuro.

O fato é que Rogério Ceni ainda é bom no que faz, e suas falhas, ao olhar do blogueiro que vos escreve, são frutos também de um mau desempenho coletivo de uma grande parcela dos jogadores que vem atuando em sua frente durante as partidas.

Que culpa tem Ceni, se Lúcio e Ganso não tem rendido o esperado? Que culpa tem Ceni, se Aloísio possui sérios desajustes na sua finalização? Que culpa tem Ceni, se Luis Fabiano, principal goleador do time, sempre entra em confusão e acaba punido? 

O problema é que o eterno arqueiro tricolor não é carismático e qualquer deslize seu, se torna motivo de questionamentos negativos. Isso dificilmente ocorria com Marcos, por exemplo. 

Por outro lado, um clube como o São Paulo não pode mais depender tanto apenas da liderança psicológica de um jogador. A instituição precisa começar a pensar em quem será o seu sucessor, seja debaixo das traves, puramente como goleiro, ou no comando do grupo dentro de campo.

Ainda que no sentido cronológico e não técnico, a hora de Rogério Ceni pode realmente estar se esgostando e é necessário se antecipar na resolução do caso desde já.

Felipe Reis

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mil vezes Ceni

Quando entrar no Morumbi às 16hrs desta quarta-feira pela 22°rodada do Campeonato Brasileiro em partida diante do Atlético-MG, Rogério Ceni estará completando seu milésimo jogo como goleiro do São Paulo. Uma marca histórica e que, daqui para frente, dificilmente será batida por outro atleta em qualquer clube que seja.

Que me desculpe os corintianos (como eu), palmeirenses e santistas, mas todo torcedor que critica Rogério, é porque no fundo, sente uma ponta de inveja em não poder contar com esse verdadeiro exemplo de profissionalismo defendendo seu time de coração.

Eu mesmo, traído por essa parcialidade, diversas vezes pensei em voz alta: "nossa, eu odeio esse cara". Com o tempo fui tomando uma opinião mais sensata e cheguei a conclusão que, embora Ceni não seja o mais espetacular goleiro que vi debaixo das traves, é talvez, o maior dessa posição nos últimos tempos no Brasil por um conjunto da obra que engloba números, títulos e regularidade.

Tudo bem! Convenhamos que algumas declarações polêmicas sobre seus adversários em determinados momentos de sua carreira fazem do arqueiro tricolor, um personagem do meio futebolístico que divide opiniões entre os rivais. Alguns respeitam, outros debocham, uns adoram e muitos odeiam.

Deixando esse detalhe de lado, a verdade é que Rogério Ceni merece todas as homenagens que serão feitas à ele. Não apenas pelo jogo de n°1000, mas também por honrar a mesma camisa ao longo de 21 anos e exercer com extrema seriedade a profissão. Sem contar os seus recordes durante todo esse tempo.

Abaixo, algumas curiosidades e números que envolvem o goleiro são paulino nesses 999 jogos que realizou.

Estréia: 25/06/1993 - Tenerife (ESP) 1 x 4 São Paulo (BRA) - Partida disputada pelo Troféu Santiago de Compostela

Jogo inesquecível na carreira: 12/05/2004 - São Paulo (BRA) 2 (5) x 1 (4) Rosário Central (ARG) - Jogo realizado pela oitavas-de-final da Taça Libertadores da América.

Ídolo no futebol: Zetti

Ídolo no esporte: Michael Jordan

Gols feitos: 103

Gols sofridos: 1152

Prêmios Individuais:

* Bola de Ouro (Placar): 2008
* Bola de Prata (Placar): 2000, 2003, 2004, 2006, 2007 e 2008
* Bola de Ouro do Mundial de Clubes da FIFA: 2005
* Melhor jogador da final do Mundial de Clubes da FIFA: 2005
* Melhor Goleiro da Copa Libertadores da América: 2005
* Melhor jogador do Campeonato Brasileiro: 2006 e 2007
* Melhor goleiro do Campeonato Brasileiro: 2006 e 2007
* Rei da Bola do Brasileirão: 2007
* Craque da Torcida: 2007
* Melhor Goleiro do Campeonato Paulista: 2005 e 2011
* Melhor Goleiro do Campeonato Brasileiro (Troféu Mesa Redonda): 2004, 2005, 2006 e 2007

Títulos conquistados com o São Paulo:

* Copa Europeia/Sul-Americana: 1993
* Campeonato Mundial de Clubes da FIFA: 2005
* Taça Libertadores da América: 1993 e 2005
* Supercopa da Libertadores da América: 1993
* Campeonato Brasileiro: 2006, 2007 e 2008
* Campeonato Paulista: 1998, 2000 e 2005
* Recopa Sul-Americana: 1993 e 1994
* Troféu Cidade de Santiago de Compostela: 1993
* Copa Conmebol: 1994
* Copa dos Campeões Mundiais: 1995 e 1996
* Copa Master da Conmebol:1996
* Copa Euro América: 1999
* Torneio Rio-São Paulo: 2001


Categorias de base:


* Campeonato Paulista (Categoria Juvenil): 1990
* Copa São Paulo (Categoria Junior): 1993
* Campeonato Paulista (Categoria Aspirante): 1993

Felipe Reis

sábado, 24 de outubro de 2009

O "bandido" amado e o mocinho "odiado"


Marcos e Rogério Ceni: mitos em diferentes situações
Rogério Ceni e Marcos tem muita coisa em comum: ambos possuem a mesma idade (36 anos), são considerados ídolos pelas suas torcidas, vistos como referências entre seus colegas de elenco, vencedores e de histórias bastante semelhantes dentro de seus respectivos clubes (eram reservas e se tornaram titulares há mais de uma década). No entanto, os dois interpretam papéis diferentes, quando o assunto é carisma com as torcidas rivais.

O goleiro tricolor possui um caráter íntegro, é extremamente profissional, educado, inteligente e se alguém ousar falar de sua carreira, irá escutar que ele já ganhou todos os títulos possíveis e imagináveis dentro do São Paulo. Sem contar o recorde mundial que obtém: o de gols feitos. São 85 tentos assinalados, sendo 49 de falta e 36 de penalty.

Só que nem mesmo tantas qualidades em um único atleta fazem de Rogério um jogador querido entre os torcedores adversários. Isso tanto pode se dever ao fato de algumas respostas dele não terem sido muito bem digeridas pela imprensa quando ousaram questionar seu trabalho, como também, simplesmente, uma questão de carisma.

Tratando-se disso, Marcos tem de sobra. O Goleiro palmeirense esbanja simpatia em cada entrevista que se dispõe a conceder até mesmo em situações adversas como uma derrota do seu time ou alguma eventual má fase, seja ela por questão técnica ou fisica. O "São Marcos", como é clamado pelos palmeirenses, é aquilo que nós chamamos de um "livro aberto". Sempre com muitas histórias para contar sem segredos a esconder.

Devido à essa personalidade transparente, o goleiro titular no penta de 2002 consegue alcançar um fenômeno que poucos jogadores até hoje atingiram: ser adorado e respeitado também pelos "inimigos". Não há quem fale mal dele, mesmo quando sai esbravejando e xingando tudo o que vê pela frente ou falha em algum gol sofrido pelo Palmeiras. Por saber improvisar nas palavras saindo da mesmice de sempre e manter uma ótima relação com jornalistas, Marcos é no momento, um símbolo de carisma e idolatria no futebol brasileiro.

Diferenças e semelhanças entre eles de lado, admito que eu, mesmo sendo corintiano assumido, sentirei falta quando esses dois goleiros e excepcionais atletas forem pendurar as chuteiras. Infelizmente, o futebol está mais carente do que nunca de jogadores que dão a alma por seus clubes de coração e que deixam para trás o "famoso" profissionalismo que muitos alegam quando mudam de um rival para o outro.

Felipe Reis